Umbanda I
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Umbanda é uma expressão que vem da palavra africana mbanda que pode significar “tabu”, “coisa sagrada”, “súplica” ou “invocar espíritos”. (CASTRO, 2005) A Umbanda é uma religião formada por uma seleção de valores doutrinários e rituais oriundos do candomblé, da pajelança, do catolicismo, do espiritismo kardecista, da maçonaria e da teosofia. (CACCIATORE, 1988) Podemos dizer que surgiu de um sincretismo religioso originalmente brasileiro. (GAARDER; HELLERN; NOTAKER, 2001)

ORIGEM

A Umbanda surgiu em meio às festas nas senzalas, onde os negros escravos buscavam manter seus costumes na cultura e na religião africana, reverenciando seus Orixás por intermédio do sincretismo com os santos católicos. Segundo o site Casa Luz do Amanhã (2015), Orixás são "forças da natureza, deificadas e personificadas em divindades", que eram uma espécie de deuses, que alguns povos africanos cultuavam com todo fervor de suas vidas.
Foi anunciada pelo espírito que se identificou como “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, através do médium Zélio Fernandino de Moraes, no Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1908. O novo movimento religioso, pela primeira vez designado por “Umbanda”, foi definido como “uma manifestação do espírito para caridade”.
Muitas vezes realizada nas praias, a Umbanda ficou conhecida, no início do século XX, pelo termo macumba, que nada mais é que um instrumento musical utilizado durante as giras.

ORIXÁS
O umbandista contempla e usa a potência energética associada aos muitos aspectos da natureza viva criada por Olorum (Pai maior) através dos Orixás. Os Orixás que se manifestam na Umbanda são:
- Oxalá: sincretizado como Jesus Cristo, não tem reino específico e pode ser oferendado em qualquer ponto da natureza. Sua linha de vibração é a Fé / Religiosidade.
- Ogum: sincretizado como São Jorge, seu reino na natureza são os caminhos abertos. Linha de vibração: Ordem / Equilíbrio / Demandas.
- Yemanjá: sincretizada como Nossa Senhora da Glória; Nossa Senhora dos Navegantes. Seu reino na natureza é o mar. Linha de vibração: Geração / Maternidade / Família.
- Oxóssi: sincretizado como São Sebastião. Seu reino na natureza são as matas. Linha de vibração: Conhecimento / Fartura / Trabalho.
- Xangô: sincretizado como São Jerônimo, São João Batista e São Pedro. Reino na natureza: pedreiras. Linha de vibração: Justiça / Razão.
- Iansã: sincretizada como Santa Bárbara. Reino na natureza: ar / pedreira. Linha de vibração: Justiça / Execução Kármica / Maturidade.
- Oxum: sincretizada como Nossa Senhora da Conceição. Reino na natureza: rios e cachoeiras. Linha de vibração: Purificação / Amor / União.
- Omulú: sincretizado como São Lázaro e São Roque. Reino na natureza: cemitério / terra. Linha de vibração: Transformação / Evolução.

RITUAIS

- Defumação: A defumação tem o intuito de limpar os médiuns e os assistidos do terreiro, pois cada um carrega junto de si energias negativas acumuladas durante o dia.
- A roupa branca: O branco não é considerado uma cor, mas o somatório de todas elas e traz consigo as propriedades terapêuticas de todas. O branco também favorece a mente estimulando pensamentos mais limpos e sublimes.
- Ponto riscado: É como uma assinatura do Orixá. É usado para firmar a relação entre médium e guia. Cada ponto tem seu significado, por isso nunca deve ser copiado.
- Guia: A guia tem a função de proteger o médium para que não fique com energias negativas.
- Pés descalços: Todos os médiuns e consulentes participam descalços das giras, porque a terra absorve cargas energéticas, o que facilita na desimpregnação da pessoa que está sendo atendida.
- Bater cabeça: O médium se abaixa e toca suavemente a testa no chão, assim ele demonstra respeito pela terra que toca e humildade ao se abaixar diante de Olorum (Deus).
- O fechamento: Após o atendimento, é feito uma oração que oficializará o fechamento dos trabalhos e da corrente.
- Organização de um Terreiro de Umbanda: “Na parte espiritual as principais autoridades umbandistas são os pais-de-santo ou mães-de-santo, padrinhos ou madrinhas, que incorporam as entidades, zelam pela manutenção da doutrina e presidem as sessões realizadas no terreiro. Abaixo deles estão os pais e mães pequenos, filhos ou filhas-de-santo, cambones, ogans e tabaqueiros”. (TATE, 2010)

ADEPTOS
Apesar de até os dias de hoje a Umbanda ser uma religião reconhecida pelas lideranças do Movimento Negro como religião negra, é cada vez maior o número de brancos, até mesmo de descendentes de japoneses e coreanos, que estão aderindo à religião. (GAARDER; HELLERN; NOTAKER, 2001)
Segundo o IBGE, em 2010, o número de brasileiros adeptos à religião era de 407.332 pessoas, o equivalente a 0,21% da população.

Sobre a imagem

As guias também são conhecidas como "Cordão de Santo", "Colar de Santo" ou "Fio de Contas". (TATE, 2010) A guia tem a função de proteger o médium, impedindo que ele fique carregado com energias negativas, suas ou de outras pessoas. O ato de tocar a guia e ela se romper significa que a pessoa estava carregada com más energias. Alguns estudiosos entendem que cada cor possui uma vibração específica e também uma capacidade terapêutica. Com isso, para as guias feitas com miçanga, apesar da miçanga não ser retirada diretamente da natureza, as cores possuem vibrações e, conforme a confecção da guia, determinada vibração será propiciada. As guias feitas com materiais retirados diretamente da natureza, como coquinho, búzio, semente de açaí, trazem consigo a energia da natureza, da terra, do mar, do vegetal.

Fonte da imagem: http://2.bp.blogspot.com/-lk3cphDe3lc/Tv6BagvW5yI/AAAAAAAAAc8/EBRUUpmXQIQ/s640/116373+%25281%2529.jpg

Referências

1. A ORIGEM da Umbanda. Disponível em: <http://www.casaluzdoamanha.com.br/home/a-origem-da-umbanda/>. Acesso em: 09 jul. 2015.
2. CACCIATORE, Olga Gudolle. Dicionário dos cultos afro-brasileiros. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1988.
3. CASTRO, Yeda Pessoa de. Falares africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: Topbooks/ Academia Brasileira de Letras, 2005.
4. GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. São Paulo: Editora Schwarcz Ltda., 2001. Disponível em: <http://ir.nmu.org.ua/bitstream/handle/123456789/143146/99c47c08f92d99f1794d7bf298846a7d.pdf?sequence=1>. Acesso em: 05 jul. 2015.
5. HELENA. As guias na umbanda. Disponível em: <http://requintemaryhelena.blogspot.com.br/2011/12/as-guias-na-umbanda.html>. Acesso em: 11 jul. 2015.
6. ORIGEM da Umbanda. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Origem_da_Umbanda>. Acesso em: 04 jul. 2015.
7. SANTIAGO, Emerson. Umbanda. Disponível em: <http://www.infoescola.com/religiao/umbanda/>. Acesso em: 04 jul. 2015.
8. SANTOS, Milton Silva dos. Culturas Africanas e Afro-Brasileiras em Sala de Aula: Saberes para os Professores, Fazeres para os Alunos. Belo Horizonte: Fino Traço Editora Ltda., 2012. 112 p. (Formação Docente).
9. SOUZA, Cecelle. Origem da Umbanda. Disponível em: <http://filhosdefee.blogspot.com.br/p/origem-da-umbanda.html>. Acesso em: 04 jul. 2015.
10. SOUZA, Cecelle. Os Orixas. Disponível em: <http://filhosdefee.blogspot.com.br/p/os-orixas.html>. Acesso em: 04 jul. 2015.
11. TATE. Rituais da Umbanda. 2010. Disponível em: <http://tate-umbandaeseusmisterios.blogspot.com.br/2010/06/rituais-da-umbanda.html>. Acesso em: 08 jul. 2015.

Autoria do verbete

Flávia Rosa de Andrade
Rafaela Zilio Altenburger
Joana Filipini Laabs

Estudantes da turma EMITST 2015

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