Nambikwara
crianca-nambikwara.jpg

Autodenominados como Anunsu, atualmente estão em cerca de 2232 pessoas. Vivem na região de Roraima e do Mato Grosso - no cerrado e floresta amazônica e nas áreas de transição entre estes dois ecossistemas.


Cultura

Língua

Os grupos Nambikwara falam línguas da família linguística Nambikwára, esta família não tem nenhuma “relação comprovada com outras famílias linguísticas da América do Sul” (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015). O antropólogo David Price, no ano de 1972, classificou a família linguística Nambikwára de forma que esta pudesse ser dividida em três grandes grupos: Sabanê, Nambiquara do norte e Nambiquara do sul.

  • Sabanê: Esta língua é bastante diferente das outras duas e é falada pelos grupos que ocupavam o extremo norte do território Nambiquara. Muitos dos grupos que falavam Sabanê foram extintos devido às epidemias vindas com o contato, atualmente esta língua conta com muito poucos falantes, enquanto as outras duas encontram-se bem preservadas. São genericamente designados Sabanê (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).
  • Nambiquara do norte: Esta língua é falada pelos grupos habitantes dos vales do rio Roosevelt e do rio Tenente Marques. Designados por Da’wandê, Da’wendê, lapmintê, Yâlãkuntê, Yalakalorê, Mamaindê e Negarotê (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).
  • Nambiquara do sul: Língua falada pelo grupo Nambiquara do Cerrado, que habita a região do vale do Juruena, onde se situam no nordeste da chapada dos Parecis e são designados Halotésu, Kithaulhu, Sawentésu, Wakalitesu e Alakatesu. Desta mesma língua foram distinguidos quatro dialetos, porém, os grupos localizados nas quatro áreas dialetais têm dificuldade de entender uns aos outros (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).

Ritual de puberdade feminina

Os Nambikwara têm em sua cultura o Ritual da puberdade feminina, este funciona da seguinte forma:
Após sua primeira menstruação a menina menstruada (wa’yontãdu), permanece reclusa de um a três meses em uma maloca feita com folhas de buriti pelos pais, propriamente para isso. Após o fim desse tempo, convidados de outras aldeias nambikwara vem e retiram a menina da reclusão, isso durante uma grande festa. No fim do ritual, a menina passa a ser considerada uma mulher formada e, a partir de então, “casável” (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).

mamainde_2.JPG

Imagem 2: Festa de encerramento do ritual de puberdade feminina realizado em 2004 na aldeia Mamaind&eciFrc;. As comidas (peixe seco e macaco) serão oferecidas aos convidados que vieram de outras aldeias Nambiquara para participar da festa. Foto: Joana Miller. Fonte: <http://img.socioambiental.org/d/287763-1/mamainde_2.JPG>. Acesso em: 15 nov. 2015.

Tucum

Para os Nambiquaras do norte, o poder do xamã é adquirido através de objetos, como por exemplo este colar, nos quais recebe dos espíritos dos mortos. Wanin wasainã’ã, “coisas mágicas”, ou waninso’gã na wasainã’ã, “coisas do xamã” são os nomes designados aos objetos que eles usam. Na tribo, os xamãs sempre utilizam um colar de voltas pretas, chamado colar de tucum (feito com inúmeras sementes pequenas agrupadas) o que o torna símbolo religioso característico da aldeia, visto que a quem esse colar é atribuído tem uma grande importância.

tucum.JPG

Imagem 3: Colar de Tucum, 2010. Foto: Denise Guerra. Fonte:<http://3.bp.blogspot.com/_A3F2820uOII/S-J1IGSKSyI/AAAAAAAACak/oFwSMd9dWoc/s400/032.JPG>. Acesso em: 22 nov. 2015.


Cotidiano

Habitações e aldeias
Nas três regiões que compõem o território Nambikwara, foram encontrados nas aldeias diferentes tipos de habitação. Alguns dados gerais: aldeias em formato circular, longe dos cursos d’água, construídas no alto de pequenas colinas, compostas com casas cobertas por palha, em formato semiesférico (pequenas) ou cônico (grandes e compridas) (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).

habitacao_2.jpg

Imagem 4: Habitação dos índios Nambikwara Kithaulu, Rio Camararé, Terra Indígena Nambiquara, Mato Grosso. Foto: René Fuerst, 1972. Fonte: <http://img.socioambiental.org/d/285474-3/habitacao_2.jpg>. Acesso em: 15 nov. 2015.

habitacao.JPG

Imagem 5: Nambikwara Mamaindê, Aldeia Central, Mato Grosso. Foto: Kristian Bengtson, 2003. Fonte: <http://img.socioambiental.org/d/285477-4/habitacao.JPG?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT>. Acesso em: 15 nov. 2015.


Histórico do contato

Segundo David Price, a ocupação intensiva dos Nambikwara corresponde ao atual estado de Mato Grosso e teve o seu início com a descoberta de ouro no rio Coxipó, em 1719, atraindo portugueses para a região. Em 1737, é descoberto ouro na chapada de São Francisco Xavier, no extremo sul do território Nambikwara, porém, não há registros do encontro com índios neste período (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).
Os primeiros registros da região ocupada pelos Nambikwara foram de 1770, quando foi criada uma expedição para construir uma estrada ligando o Forte Bragança à Vila Bela, também para procurar ouro nesta região.
Nestes registros relatam ataques empreendidos pelos Nambikwara às cidades e povoados da região. Os índios assim denominados ameaçavam os trabalhadores que se dedicavam à extração da poaia, planta utilizada no tratamento de infecções intestinais, tosse convulsiva e bronquite. Os ataque dos índios à população de Vila Bela perduraram até o início do século XX, quando a expedição chefiada por Rondon entrou no território ocupado pelos Nambikwara (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).
Em 1781, foi feita a primeira tentativa de aldeamento dos índios conhecidos como Cabixi, que viviam na região do Vale do Sararé. Documentos da época mencionam a presença de 56 índios classificados como Cabixi (há uma distinção entre os Cabixis “mansos” e “bravos”, designando os Pareci e os Nambikwara). No entanto, este pequeno aldeamento é abandonado em 1783.

Comissão Rondon

Quando a Comissão Rondon entrou no território Nambikwara, esses índios já estavam em contato com seringueiros, com os quais tinham guerras frequentes. Nesta época, já utilizavam machados de ferro, adquiridos dos seringueiros.
“Embora os Nambikwara já tivessem contatos com os seringueiros e com os ex-escravos que habitavam os quilombos da região, foi a partir do início do século XX, com a criação do SPI (Serviço de Proteção aos Índios), dirigido por Rondon, que foram estabelecidos contatos pacíficos com esses índios” (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).

Chegada dos missionários

Price (1972) relata que, em 1924, um casal de missionários da Inland South American Missionary Union, uma organização protestante com sede nos Estados Unidos, se estabeleceu próximo ao Posto Telegráfico de Juruena. O casal deixou o Posto em 1927 e retornou com o filho pequeno em 1929, quando foi atacado após ter medicado um índio que acabou morrendo. Mas em 1930, missionários católicos atuavam com os Nambikwara do vale do Juruena na Missão, onde mantinham uma escola destinada à alfabetização e à catequização dos índios da região (Pareci, Nambikwara, Iranxe Manoki) (POVOS INDÍGENAS NO BRASIL, 2015).
Em 1959 e 1960, missionários da Missão Cristã Brasileira começaram a fazer contato com os nambikwara do Vale do Sararé. Nesta mesma época, missionários de outra organização, começaram a atuar com os grupos Nambikwara.
Ao mencionar a presença de missionários entre os grupos Nambikwara, Price (1972) faz esta seguinte afirmação: “apesar da pesada evangelização, nunca conheci um Nambikwara cristão”.


Dificuldades enfrentadas atualmente

Existem muitas dificuldades que encontramos atualmente em relação aos indígenas, há alguns itens que poderíamos citar como mais importantes: luta pela terra, incidência de doenças, dificuldades de acesso a postos de saúde, preconceito, lugar para habitarem e a dificuldade de encontrar emprego para sustentar sua família e a si próprio.
Os indígenas encontram muitos problemas com a falta de terra, pois muitas aldeias estão abrigadas em solos não muito férteis, que prejudica a produtividade, não tendo acesso a recursos que garantem a caça e pesca.
Uma dificuldade encontrada pelos Nambikwara é a escola que atende a comunidade indígena no município de Comodoro, Mato Grosso. O local está com péssimas condições e sofre total falta de infraestrutura. O Ministério Público Federal pede de extrema urgência a construção ou reforma destas escolas. Uma pesquisa na comunidade aponta que 120 alunos estão sem estudar e 59 ainda são analfabetos (MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, 2015).


Outras informações interessantes

Ocorreu no dia 19 de abril do ano passado (2014), em São Paulo, no Parque Ecológico do Tietê, a primeira edição dos Jogos Indígenas, com o tema “Índio, mostre a sua cara”. Os jogos foram organizados pelo Cacique Cafuzo Tukumbó Dyeguaká Robson Miguel, juntamente com sua esposa e outras organizações voltadas a esta área social. O principal objetivo era fazer valer a Lei 11.645, que aborda o estudo da cultura, língua, histórias e tradições indígenas brasileiras. Vários povos indígenas participaram dos jogos, inclusive os Nambikwara.
A cidade de São Paulo é considerada exemplo pela preservação da cultura indígena, pois possui 67.789 índios, separados em 53 etnias, que vivem em 4 aldeias que ainda existem conforme o Censo de 2010 - os jogos também procuraram difundir estas informações. Foi mesclado nos jogos, atividades (esportes) comuns e também característicos de indígenas, tais como:

  • Corrida de Percurso;
  • Arremesso de lança;
  • Corrida de saco;
  • Cabo de guerra;
  • Corrida de perna de pau;
  • Luta corporal;
  • Corrida de canoagem;
  • Futebol;
  • Arco e flecha;
  • Zarabatana.*

*Zarabatana: é uma arma artesanal composta por um cano longo, originalmente de caules, mas atualmente pode ser de metal ou plástico. Funciona por sopro em um buraco onde há uma pequena seta inserida. Utilizada principalmente para caças, já que é muito silenciosa e tem uma alta precisão.

zarabatana.jpg

Imagem 6: Zarabatana. Fonte: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR3A3Iy0Xf2oMrm0BGi8FG9RNQlOWIp_XFc1YI8_oTJhbRjKIU9_Q>. Acesso em: 22 nov. 2015.

Sobre a imagem

Criança Nambikwara Hahaintesu, Terra Indígena Vale do Guaporé, Vila Bela da Santíssima Trindade, Mato Grosso. Foto: Michel Pellanders, 1987. Fonte: <http://img.socioambiental.org/d/285462-3/introducao.jpg>. Acesso em: 15 nov. 2015.

Referências

1. GUERRA, Denise. O Artesanato NAMBIKWARA: Arte, Resistência Cultural, Subsistência Econômica. Disponível em: <http://ecosdaculturapopular.blogspot.com.br/2010/05/o-artesanato-nambikwara-arte.html>. Acesso em: 22 nov. 2015.
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. MPF/MT cobra melhorias em escola estadual indígena Nambikwara. 2015. Disponível em: <noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_indios-e-minorias/mpf-cobra-melhorias-em-escola-estadual-indigena-nambikwara>. Acesso em: 19 nov. 2015.
3. MUNDO VESTIBULAR. Comunidades Indígenas e os problemas atuais. Disponível em: <http://www.mundovestibular.com.br/articles/9550/1/Comunidades-Indigenas-e-os-problemas-atuais/Paacutegina1.html>. Acesso em: 12 nov. 2015.
4. POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Nambikwara: Habitações, aldeias e roças. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/nambikwara/1678>. Acesso em: 15 nov. 2015.
5. POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Nambikwara: Histórico do contato. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/nambikwara/1672>. Acesso em: 15 nov. 2015.
6. POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Nambikwara: Língua. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/nambikwara/1672>. Acesso em: 08 nov. 2015.
7. POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Nambikwara: Ritual de puberdade feminina. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/nambikwara/1679>. Acesso em: 08 nov. 2015.
8. POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Xamanismo (Mamaindê). Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/nambikwara/1680>. Acesso em: 22 nov. 2015.
9. REDAÇÃO JB. São Paulo terá 1º Jogos Indígenas com o tema: “Índio, mostre a sua cara”. Disponível em: <http://jornaldabaixada.uol.com.br/?p=22185>. Acesso em: 22 nov. 2015.

Autoria do verbete

Carolina Maliska Haack
Flávia Rosa de Andrade
Júlia Volpato
Marciano Victor Biava

Estudantes da turma EMITST 2015

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License