Povos Indígenas Da América: Maias

O povo Maia

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Se concentravam na América Central e do Sul. Na época pré colombiana eram a única civilização a ter uma linguagem escrita.
São conhecidos principalmente pela sua arte, arquitetura, e avanços na área da Ciência, como o desenvolvimento da matemática e sistema astronômico.

Alfabeto e Numeração

O povo maia tem muita semelhança com os astecas, apesar dos maias serem mais cultos (tanto que desenvolveram um completo sistema de escrita) e os astecas e incas saberem lidar melhor com as tecnologias. Porém, esse sistema de escrita só er conhecido pelas elites.
Os maias tinham a escrita mais completa da América pré-colombiana, tendo mais de mil caracteres representando sons e símbolos. Historiadores acreditam que, em 2003 haviam em torno de 180 caracteres descobertos e que, cinco anos depois já tinham sido listados mais de 500 caracteres.
Foi descoberto também que, os maias desenvolveram um tipo de papel feito de fibra vegetal e cal, onde eram escritos as leis, regras, etc.

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Logo após o desenvolvimento da astronomia a matemática se desenvolveu. Acredita-se que os maias futilizaram o número zero já em 325, sendo o primeiro povo da América a utilizá-lo, enquanto os europeus passaram a incluir ele somente a partir do século 12. O número zero era representado por uma concha
A numeração tinha base 20, diferente da nossa que é base 10. Isso originou da soma dos dedos das mãos e dos pés. Havia também uma relação com um dos calendários.

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Organização e Sociedade

A sociedade maia dividia-se em várias cidades-Estado, diferentemente das outras civilizações, que possuíam um poder centralizado. Em cada cidade-Estado, havia um chefe chamado de halach vinic, que governava a região em nome de uma divindade específica. Esse cargo era repassado hereditariamente. Já os outros cargos eram delegados pelo halach vinic também, e todos os denominados eram pessoas de origem nobilárquica.
A pirâmide social Maia contava com a presença de três classes sociais. No topo, encontrava-se os governantes, os funcionários de alto escalão e os comerciantes. Logo em seguida, tinha-se funcionários públicos e os trabalhadores especializados. Na base da pirâmide estavam os camponeses e trabalhadores (braçais).

Tradições

A civilização Maia tinha o costume de desejar certas características físicas de seus filhos, e para obtê-las, faziam intervenções. Como exemplo, cita-se a prática de balançar objetos na frente de recém-nascidos até que eles ficassem estrábicos.
Para os Maias, cada dia do ano tinha um nome feminino e um masculino. Os pais respeitavam muita esta tradição ao nomearem seus filhos.
Também faziam alguns sacrifícios, como jogar pessoas vivas em poços, arrancar o coração das pessoas ainda batendo e arrancar a pele das pessoas para vesti-las. Faziam isso pois acreditavam que o homem fazia parte de uma 3ª geração que vinha do milho.

Calendário Maia

Os Maias possuem dois calendários: Tzolkim (religioso) e o Haab (agrícola).
Tzolkim: possui 13 meses, com 20 dias cada, totalizando 260 dias por ano. É regido pela Lua. Cada dia tem um nome e um número, que vai de 1 a 13. Ou seja: 1 Imix, 2 Ik […] 13 Ben - e aí volta os números do início - 1 Ix, 2 Men, etc. Quando chega no último dia (Abau), procede-se da mesma forma: 7 Abau, 8 Imix e assim por diante.
Haab: o surgimento desse calendário veio, inicialmente, da forte ligação dos Maias com suas divindades. Eles acreditavam que havia 13 camadas celestes habitadas por 13 deuses, e mais 9 mundos subterrâneos habitados por outros 9 deuses. Essa ligação deu um impulso para os Maias estudarem mais a fundo o ciclo da vida - que era mantido por essas divindades. Isso resultou na astronomia, aonde Haab foi baseado. Tem 18 meses de 20 dias, mais 5 dias que eram destinados para festas.
A cada 52 anos, Haab tinha um mês a mais (mas de apenas 13 dias) e se sincronizava matematicamente com Tzolkim em Vênus.
A cada 3172 anos, Haab tinha 25 dias a menos, e o início dos dois calendários se sincronizava, resultando no que os Maias acreditavam ser o início de uma nova Era.
Pode parecer complicado, mas, no fim de tudo, o ano maia tinha 365,242129 dias. Isso é incrivelmente próximo do calendário astronômico, que possui 365,242198 dias. Os cálculos astronômicos dos Maias não se limitavam apenas ao calendário. Eles estimavam que o ciclo de Vênus possuia 584 dias. Atualmente, o dado considerado real é de 583, 92 dias.

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Medicina

O conceito de saúde nessa sociedade abrangia as áreas da ciência e religião, em conjunto com mente e corpo. Poucos Maias estudavam a medicina a fundo, mas as práticas médicas eram muito avançadas. Médicos realizavam suturas com fios de cabelo humano, cuidavam de diversos tipos de fraturas, e em alguns casos, faziam até próteses dentárias. Havia também os xamãs, que vinculavam as dores físicas à tormentas espirituais. Tratavam os doentes com infusões, sangrias e substâncias alucinógenas.
Os maias contavam com uma higiene muito boa, incluindo banhos diários e limpeza bucal com uma goma, chamada de chicozapote.

Principais Cidades

Chichén Itzá, Piedras Negras, Palenque, Tikal, Yaxchilán, Copán, Uxmal e Labná.

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Onde viviam os Maias e onde/como vivem atualmente

Antigamente, os maias viviam no sul do México e também em uma região que abrange Guatemala, Belize, El Salvador e parte de Honduras. Viveram nestas regiões entre os séculos IV a.C e IX a.C. Os descendentes desse povo hoje vivem nos estados mexicanos Yucatán, Campeche, Quintana Roo e Chiapas, nos países da América Central como Belize, Guatemala, e nas regiões ocidentais de Honduras e El Salvador. Atualmente, 6 milhões de pessoas que vivem em Yucatán e na Guatemala são consideradas maias e falam 25 dialetos diferentes
Os maias moram em palapas (casas de palha e adobe) e cultivam milho, feijão, chile, tomate principalmente. Cada família também costuma possuir seu próprio pomar de laranjeiras e mamoeiros nos pátios das casas e vivem exatamente da mesma forma que seus antepassados: espalhados pela zona rural, vivendo da agricultura e visitando o centro da vila apenas em ocasiões festivas. Acordam às 4 da manhã para trabalhar no plantio, voltam para casa às 19h e dormem às 21h.
Cada comunidade maia tem uma veste tradicional própria que a distingue das demais aldeias. Eles são feitos a mão e bordados pelas mulheres da comunidade. A mais importante celebração é a do santo padroeiro do povoado, que se celebra com uma série de eventos religiosos e culturais que podem durar até uma semana.

Contato com a sociedade não-indígena e o fim da Sociedade Maia

Historiadores acreditam que a falta de visão e futuro e a ausência de cuidado com o meio ambiente foi o principal causador do declínio da sociedade maia. Os governantes estavam preocupados demais com a construção de grandiosas obras e não souberam lidar com as necessidades do seu povo. Entre 700 e 900 enfrentaram também um o pior período de seca jamais vista em 7 mil anos, mas não houveram mortes em massa.
Uma das possibilidades do abandono das cidades maias é que as pessoas passaram a se retirar para o campo onde não precisavam dar conta do que faziam e plantariam somente o que era preciso pra viver, mas antes das saídas das cidades acredita-se que houveram rebeliões, onde incendiavam longos territórios.
Quando enfrentaram a invasão espanhola já estavam em declínio. Inicialmente os espanhóis tentaram invadir, mas foram expulsos do território. Um ano depois fi\eram outra tentativa, mas os maias eram um povo resistente apesar de estarem muito enfraquecidos. Seis anos depois das duas tentativas fracassadas, conseguiram dominar os maias. Um ano depois do domínio um explorador viajou a Yancuntán e soube de um outro povo mais poderoso e rico em ouro: os astecas. Como os maias eram muito desorganizados e já estavam pobres quando invadiram definitivamente, decidiram abandoná-los e tentar os vizinhos.

Sobre a imagem

A imagem é de uma ruína localizada em Chichén Itzá, uma cidade arqueológica Maia famosa por funcionar como centro político e econômico, além de possuir o mais conhecido observatório astronômico de toda a civilização.

Referências

Os maias de hoje. 2003. Regnum Christi. Disponível em: <http://www.regnumchristi.org/por/articulos/articulo.phtml?id=6515&se=364&ca=200&te=782>. Acesso em: 13 nov. 2015.
SOUSA, Rainer. Maias. Brasil Escola. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historia-da-america/maias.htm>. Acesso em: 13 nov. 2015.
SOUSA, Rainer. MAIA. História do mundo. Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/maia/>. Acesso em: 13 nov. 2015.
ANJOS, Khrys. (Resenha) Admeto O Globo do Poder - Aline F. Traldi & Valmir Junior. Disponível em: <http://minhamontanharussadeemocoes.blogspot.com.br/2013/09/resenha-admeto-o-globo-do-poder-aline-f.html>. Acesso em: 14 nov. 2015.
SOUZA, Sergio de. 10 Incríveis fatos sobre a civilização Maia. 2009. Hype Science. Disponível em: <http://hypescience.com/21479-10-incriveis-fatos-sobre-a-civilizacao-maia/>. Acesso em: 14 nov. 2015.
Honduras a través del tiempo. 2015. Disponível em: <http://ccssenmtru.blogspot.com.br/2015/09/bloque-3-las-sociedades-y-el-tiempo.html>. Acesso em: 17 nov. 2015.

Autoria do verbete

Alexia Marcon Watzlawick
Polyana Brustolin
Sue Ellen Reimann

Alunas do EMITAI 2015

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