Hinduísmo II
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Origem

O Hinduísmo surgiu em aproximadamente 1500 a.C., quando a civilização do vale do Indo foi invadida pelos áryas, um povo nômade. As culturas de ambos os povos se misturaram e originaram a religião “Vedismo”, que inicialmente se restringia ao estudo dos Vedas, textos sagrados hindus. Com o advento das castas, sistema de organização social indiano que se baseia na religião, a doutrina passou a ser professada apenas e oficialmente pelos brâmanes (posição mais elevada das castas) e passou a ser chamada de “Brahmanismo” ou “Brahmanismo védico”. Tempo depois, o nome “Hinduísmo” (entre os fiéis, “Sanātana Dharma”) foi incorporado, este que significa “lei eterna”.


Características

A religião é extremamente marcada pelo politeísmo (crença em várias divindades), sendo que os principais ideais são o de meditar, prestar sacrifícios e buscar a iluminação e o conhecimento. O Hinduísmo não possui um fundador, muito menos um credo fixo ou organização específica. É uma doutrina muito diversificada que constantemente abrange novos pensamentos e expressões religiosas. No entanto, algumas características são universais a todo hindu, sendo elas a santificação das vacas, o sistema de castas e a crença no carma (consequência gerada no futuro – tanto na vida atual como em eventuais reencarnações – de toda e qualquer ação que um indivíduo pratica).


Explicação sobre a origem do mundo e do ser humano

O Hinduísmo explica a origem do universo afirmando que no princípio o mundo era apenas escuridão e silêncio. Uma entidade sem forma chamada “Brahman” criou as “Águas Cósmicas” e nelas depositou uma semente. Com o passar do tempo a semente se transformou em um “Ovo Dourado”, no qual Brahman passou um “Ano Cósmico”, emergindo na forma de uma divindade. Esse novo deus ganhou o nome de “Brahma” e foi incumbido da missão de moldar o mundo e criar tudo que a ele pertence. No momento da quebra do “Ovo”, a casca de cima originou o céu, enquanto a inferior formou a terra. O primeiro ato do deus criador foi dar forma à esfera celeste e à esfera terrestre, para mantê-las separadas. Então, criou as criaturas mundanas e tudo mais que há no Universo.
A doutrina hindu conta que o homem surgiu diretamente de Brahma:

  • De sua cabeça (em algumas fontes é citado “de seu pensamento” ou “de sua união com Bakchase, uma mulher da raça dos gigantes”) vieram os brâmanes (brahmanes), sacerdotes que compõem a casta mais alta.
  • De seus braços vieram a casta dos guerreiros, os xátrias (kshatriyas). Outras fontes contam que do braço direito de Brahma surgiu um homem (Kshatrya) e do braço esquerdo uma mulher (Kshatryani), sendo que o enlace desses dois seres originou a casta de guerreiros.
  • De suas pernas surgiu a casta dos comerciantes, os vaixás (vaishyas). Algumas fontes afirmam que da coxa direita de Brahma surgiu um homem (Vaishya) e da coxa esquerda uma mulher (Vaishyani), sendo que sua união criou a casta dos comerciantes e lavradores.
  • De seus pés vieram os sudras, a casta dos servos. Outras fontes contam que do pé direito de Brahma surgiu um homem (Sudra) e do pé esquerdo uma mulher (Sudrani), sendo que seu enlace formou a casta dos servos.
  • Da poeira de seus pés vieram os párias (ou intocáveis) para constituir os dálits, seres fora do sistema de castas, considerados criaturas repugnantes e desprezíveis.

O Hinduísmo propiciou o surgimento da divisão da sociedade indiana com base nas castas, uma vez que é a doutrina que domina o país. A Índia permaneceu com esse sistema social até ele ser rejeitado pela Constituição Indiana em 1950, devido a pressões de políticos ocidentalizados. No entanto, embora as castas tenham sido negadas socialmente, elas ainda são aceitas culturalmente, isto é, religiosamente, interferindo diretamente na qualidade de vida da população indiana.


Livro sagrado

O Hinduísmo é guiado pela literatura sânscrita, escrita dos Vedas, principais livros da religião. São livros que contêm as verdades eternas reveladas por Brahma para os antigos grandes sábios, os Rishis (que significa “vidente”, “profeta”) da Índia.
Os Vedas são livros que não possuem autores e são considerados eternos pelos hindus, ou seja, não podem ser datados. Fundamentam a religião e funcionam como o depósito da sabedoria hindu (a palavra “Veda” significa “conhecimento” e, aplicando-a as escrituras, ela significa “livro de conhecimento”).
Os Vedas dividem-se em quatro grandes livros: Rig-Veda, Yajur-Veda, Sama-Veda e Atharva-Veda. Cada um deles possui um determinado número de subdivisões e secções.


Símbolos sagrados

  • “OM” ou “AUM”: Principal símbolo hinduísta. É composto de três letras sânscritas que quando pronunciadas juntas formam o som “om” ou “aum”. Está presente em diversos rituais, orações e invocações de deuses. Sendo um símbolo de devoção, é frequentemente encontrado na cabeça de letras e pingentes, além de ser consagrado em todos os templos hindus e santuários da família. É uma sílaba que representa o Brahman, e, por ele ser incompreensível, o símbolo ajuda a entendê-lo.
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  • SUÁSTICA: é uma cruz com ramos dobrados em ângulo reto e em frente no sentido horário. Presente em todas as celebrações e festas, a suástica simboliza a natureza eterna de Brahma, pois seus pontos em todas as direções revelam a onipresença da divindade.
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  • LÓTUS: é um símbolo tanto budista como hinduísta. O crescimento da flor de lótus representa o progresso da alma para alcançar a iluminação.
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  • TRISHULA: significa “lança trifurcada”, uma vez que é a arma utilizada por Shiva, este que, sendo o deus da destruição (destrói para permitir a reconstrução), faz o uso da lança para acabar com a ignorância dos seres humanos. O tridente possui uma simbologia com relação ao número de pontas que possui, sendo diretamente relacionadas com as três qualidades da matéria: tamas (a inércia ou a existência), rajas (o movimento ou firmamento) e sattva (o equilíbrio ou as trevas). Ainda pode ser representado como o passado, presente e o futuro, visto que Shiva domina a naja, serpente mais mortífera de todas, dando assim, potencial de imortalidade.
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  • YANTRA: é um diagrama geométrico que representa o Universo. Simboliza a meditação e é utilizado em rituais complexos que ocorrem em locais puros e consagrados. Além disso, yantras são desenhados em locais onde algum templo será construído.
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  • VACA: é considerada um animal sagrado desde a antiguidade, uma vez que é interligada com divindades e frequentemente associada com a fertilidade. É o animal mais puro existente, estando superior à casta dos brâmanes.
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Divindades

As principais divindades da religião hindu são representadas geralmente com muitos braços e objetos que carregam. Esses objetos simbolizam seus atributos divinos. Os que creem na doutrina hindu sabem que os deuses das imagens não estão sua forma real.
Os três principais deuses hindus:

  • Brahma: é a divindade suprema, uma vez que foi dele que tudo surgiu. É o primeiro dos três grandes deuses.
  • Vishnu: é o conservador da criação, sendo, por isso, um dos deuses mais adorados. O segundo dos três maiores deuses possui 10 encarnações (Os Dez Avatares de Vishnu).
  • Shiva: é a terceira maior divindade hindu. É o deus destruidor, uma vez que apaga o que já existe para a sua reconstrução e renovação.

Principais Rituais

  • NASCIMENTO: quando um bebê hindu nasce ele é lavado e a palavra sagrada "OM" é gravada em sua língua com mel.
  • CASAMENTO: o principal ritual de casamento hindu acontece à noite. O casal anda em volta de uma fogueira sagrada dando sete passos.
  • MORTE: os hindus são cremados em uma pira aberta que é acesa pelo filho mais velho do falecido. As cinzas são jogadas no rio Ganges com o objetivo de purificação da alma e libertação do espírito.

A visão sobre a morte

Para o Hinduísmo a visão sobre a morte é baseada na ideia de reencarnação. Os hindus possuem crenças distintas, mas todas afirmam que a vida é parte de um ciclo de nascimento, morte e renascimento (chamado pelos adeptos de Roda do Samsara). A alma pode habitar 14 níveis planetários distintos (chamados pelos fiéis de Bhuvanas) dentro da existência material, conforme seu nível de consciência. Se o indivíduo viver sua vida de forma correta e de acordo com as regras de sua casta, ocorre a “libertação final” (chamada pelos adeptos de moksha), na qual a alma quebra o ciclo de reencarnação e passa a viver em um plano espiritual eterno.


Número de adeptos no Brasil e no mundo

Hoje em dia é a terceira maior religião em número de adeptos no mundo (750 milhões de pessoas). Já no Brasil, o número de praticantes é extremamente escasso (aproximadamente 5.675 pessoas).

Sobre a imagem

Esta é uma imagem representativa de Brahma, a primeira e principal divindade hindu. O deus foi pintado com quatro rostos, cada um recitando um dos quatro Vedas. A barba revela a sabedoria e o eterno processo de criação. Suas quatro mãos representam o intelecto, o ego, a mente e a autoconfiança. A flor de lótus que segura em uma das mãos simboliza a natureza e a essência viva de todos os seres. A espécie de livro ou escritura que segura denota o conhecimento e os Vedas. Em outra de suas mãos se encontra a Japamala, que expressa a concentração e o controle da mente. A jarra de água que segura retrata a substância utilizada na criação. Suas vestes douradas refletem a atividade e a criação. O fato de a deidade estar sentada sobre uma flor de lótus significa que ela está enraizada na realidade.

Referências

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BBC Brasil, Índia reúne maioria dos 750 milhões de hinduístas do mundo. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2003/030407_religiaohinduismo.shtml> Acesso em 12 de julho de 2015.
Compreender e Evoluir, Morte – visão espírita e de outras religiões. Disponível em:<http://compreendereevoluir.blogspot.com.br/2011/08/morte­visao­espirita­e­de­outras.html?m=1> Acesso em: 2 de julho de 2015.
Deva – Índia e seus encantos…, Deus da Criação – BRAHMA. Disponível em: <http://deva-dani.blogspot.com.br/2009/01/deus-da-criao-brahma.html> Acesso em 11 de julho de 2015.
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Filosofia Imortal, DEUSES INDIANOS – Significado e Simbolismo. Disponível em: < http://filosofiaimortal.blogspot.com.br/2015/01/deuses-indianos-significado-e-simbolismo.html> Acesso em 12 de julho de 2015.
HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry; GAARDER, Jostein; O Livro das Religiões. Disponível em: <http://ir.nmu.org.ua/bitstream/handle/123456789/143146/99c47c08f92d99f1794d7bf298846a7d.pdf?sequence=1> Acesso em 11 de julho de 2015.
HINDUISMO - TERRA, A origem do HINDUISMO. Disponível em: <http://hinduismoterra.blogspot.com.br/2011/03/origem-do-hinduismo_28.html> Acesso em 11 de julho de 2015.
KROMO-SSOMOS, Símbolos Importantes do Hinduísmo. Disponível em: <http://kromo-ssomos.blogspot.com.br/2010/12/simbolos-importantes-do-hinduismo.html> Acesso em 11 de julho de 2015.
Nosso Templo, Hinduísmo. Disponível em: <http://www.nossotemplo.com.br/hindu_rituais.htm> Acesso em 12 de julho de 2015.
Revista Época, Saiba como a morte é vista em diferentes religiões e doutrinas. Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG65777-5856,00-SAIBA+COMO+A+MORTE+E+VISTA+EM+DIFERENTES+RELIGIOES+E+DOUTRINAS.html> Acesso em 12 de julho de 2015.
Sua Pesquisa, Deuses do Hinduísmo. Disponível em: <http://m.suapesquisa.com/religiaosociais/deuses_hinduismo.htm> Acesso em 12 de julho de 2015.

Autoria do verbete

Gabriel Miotelli
Matheus Immich
Thiago Dalmedico Flores
Vicente Domingues de Cezero
Yan Caion Vieira Cardozo

Estudantes da turma EMITAI 2015.

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