Enciclopédia
enciclopedia.jpg

“A era da religião e da filosofia deu lugar ao século da ciência!”

Essa frase (STÖRIG, 2009, p. 318) se encontra na apresentação da Enciclopédia, considerada o grande empreendimento intelectual do Iluminismo, e traduz muito bem o espírito dessa publicação. Enciclopédia é uma palavra de origem grega formada pelas expressões – enkyklios, que significa “no círculo”, e paideia, que significa “formação”.

O principal objetivo da Enciclopédia era compilar todo o conhecimento relevante da época em que foi escrita nas mais diversas áreas do conhecimento, como: História, Filosofia, Direito, Economia, Geografia, Matemática, Artes e Ofícios. O caráter universal do pensamento dos enciclopedistas fica claro na apresentação dessa obra:

“[A ordem enciclopédica dos nossos conhecimentos] consiste em reunir no menor espaço possível, e colocar, por assim dizer, o Filósofo nesse vasto labirinto em um ponto de vista elevado de onde ele possa perceber a um só tempo as Ciências e Artes principais; ver de relance os objetos de suas especulações, e as operações que pode realizar a partir deles; distinguir os ramos gerais dos conhecimentos humanos, os pontos que os separam ou os unem; e entrever eventualmente os caminhos secretos que os aproximam. É uma espécie de mapa-múndi que deve mostrar os principais países, sua posição e dependência mútua, o caminho em linha reta que vai de um a outro; caminho muitas vezes repleto de obstáculos, que não pode ser conhecido em cada país a não ser pelos seus habitantes ou por viajantes, e que não será exibido a não ser em mapas singulares com muitos detalhes. Esses mapas singulares serão os diferentes artigos da nossa Enciclopédia […].” (NAPOLITANO; VILLAÇA, 2013, p. 92).

Outra proposta da Enciclopédia era transmitir de uma maneira acessível o conhecimento, no intuito de instruir e, por consequência, emancipar seus leitores. Por isso, os verbetes estavam organizados em ordem alfabética, para que qualquer pessoa, independente de seus conhecimentos prévios, pudesse encontrar o assunto que lhe interessava com facilidade. É o que fala o historiador Jorge Grespan (2008, p. 51) em sua obra sobre a Revolução Francesa e o Iluminismo:

“Esse duplo papel define bem o projeto da Enciclopédia, na qual o conhecimento possui um caráter crítico e emancipatório que acompanha necessariamente o informativo.”

Essa intenção estava muito alinhada com as ideias do Iluminismo, movimento intelectual que tinha por objetivo iluminar as trevas da ignorância com a luz do conhecimento para libertar a população oprimida.

Críticas à Igreja

A Enciclopédia teve um caráter antirreligioso bastante marcado, com a presença de fortes críticas à Igreja Católica e sua influência no Antigo Regime em vários verbetes. O próprio pensamento iluminista, presente na Enciclopédia, buscava se afastar da religião, explicando o mundo a partir de sua materialidade e não mais a partir de fundamentações divinas. Nesse sentido, essa obra foi bastante influenciada pelas ideias de Descartes.

Não à toa a Enciclopédia foi considerada herética e foi listada em 1759 no Index Librorum Prohibitorum, o Índice de Livros Proibidos da Igreja Católica. Mesmo sendo proibida sua publicação, a Enciclopédia continuou a ser editada e impressa de forma clandestina até sua conclusão, em 1772, e foi traduzida para diversos idiomas.

diderot.jpg

Os autores

Os organizadores dessa publicação foram Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond D’Alembert (1717-1783). No entanto, diversos outros pensadores, muitos deles famosos iluministas, também contribuíram na construção dos verbetes, como Rousseau, Voltaire e Montesquieu.

Curiosidades

  • A Enciclopédia foi publicada pela primeira vez entre 1751 e 1772.
  • O subtítulo dessa publicação era “Dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios”.
  • Números: 36 volumes, sendo destes 8 de imagens; 71.818 verbetes; Diderot elaborou sozinho mais de mil verbetes.

Sobre a imagem

A primeira imagem que ilustra este verbete é a cópia do frontispício de um dos volumes da primeira edição da Enciclopédia. Seu título pode ser traduzido como: “Enciclopédia ou dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios para uma sociedade de homens letrados”.

Fonte da imagem:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2b/Encyclopedie_de_D%27Alembert_et_Diderot_-_Premiere_Page_-_ENC_1-NA5.jpg

A segunda imagem deste verbete é um retrato de Denis Diderot, um dos organizadores da Enciclopédia. Foi pintado por Louis-Michel van Loo em 1767. A técnica utilizada foi óleo sobre tela e as dimensões da pintura são 81 cm x 65 cm. Podemos perceber que Diderot foi retratado escrevendo, que pode ser interpretado como uma alusão ao seu trabalho de enciclopedista.

Fonte da imagem:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ad/Louis-Michel_van_Loo_001.jpg

Referências

BLACKBURN, Simon. Enciclopédia. In: _. Dicionário Oxford de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1997. p. 116.
GRESPAN, Jorge. Um projeto enciclopédico. In: _. Revolução Francesa e Iluminismo. São Paulo: Contexto, 2008. p. 49-54.
NAPOLITANO, Marcos; VILLAÇA, Mariana. Da revolução científica ao Iluminismo. In: _. História para o Ensino Médio: volume 2. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 92-99.
PELLEGRINI, Marco; DIAS, Adriana Machado; GRINGERG, Keila. A Enciclopédia. In: _. Novo olhar História: 2. São Paulo: FTD, 2013. p. 153.
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Iluminismo. In: _. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006. p. 210-213.
STÖRIG, Hans Joachim. Enciclopedistas e materialistas. In: _. História geral da Filosofia. Petrópolis: Vozes, 2009. p. 318-320.
VAINFAS, Ronaldo (et al). A Enciclopédia e os enciclopedistas. In: _. História 2. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 11-12.

Autoria do verbete

Isabel Cristina Hentz
Professora de História do IFC Câmpus Luzerna

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License