Candomblé EMITST2016 A
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O candomblé é uma religião de origem africana, que chegou ao Brasil junto com os escravos. Neste período, a prática do candomblé era vista como seita ou um tipo de “invocação do mal”. Baseando-se nesse conceito, a Igreja Católica (com a ajuda do governo) julgava a prática candomblecista um ato criminoso, e por isso os escravos cultuavam suas crenças em um modo meio “cego”.
Atualmente o candomblé tem muitos adeptos no Brasil, mas apesar disso ainda existe aquele “clichê” de julgar o Candomblé como uma seita. Mas ao contrário do que muitos pensam, essa crença é uma religião assim como o Catolicismo e o Espiritismo também são.
A designação candomblé é mais popular na Bahia, em outros locais do Brasil é conhecido como macumba (no Rio de Janeiro) e Xangô (no Recife). Apesar disso, a definição "macumba" normalmente não é adotada pelos seguidores do candomblé, porque muitas vezes tem uma conotação pejorativa.
Os rituais dessa religião são realizados em terreiros, por pais ou mães de santos e em geral duram no mínimo duas horas. As crenças dessa religião são baseadas em orixás, que são as divindades supremas, ou espíritos divinos. Dentre os mais “famosos” no Brasil vale citar:

  • OGUM: Senhor do Ferro e da Guerra;
  • OMOLU: Orixá das Doenças e da Cura;
  • NANÃ: Grande Mãe dos Pântanos;
  • OXUM: Rainha das Águas Doces;
  • IEMANJÁ: Rainha das Aguas do Mar.

Existe influência dos orixás regentes sobre as pessoas. Neles sempre são explicados os nomes, seus lados positivos e negativos, elementos, precauções que seja filhos devem tomar, cores, metais, pedras preciosas, profissões e psiquê dos filhos de cada um.
Seguindo cada uma delas, também existe: banhos, defumações e oferendas que cada um deve fazer a seu orixá. Elas são feitas com próprias ervas de cada orixá, que são banhos de descarrego e boa sorte.
Existem também receitas que devem ser seguidas, e que é posta por cada um.
Elas devem ser feitas como: banhos específicos para os filhos de cada orixá, banho pra acalmar, ganhar casos de justiça, etc…
No caso, tudo vai acontecer conforme os mandamentos de cada orixá que cada pessoa segue.
Dentro do Candomblé também existem algumas danças, e estas servem para cultuar seus orixás,e cada divindade tem seu ritmo e seu canto.
Como em toda religião, no candomblé também existe o louvor aos seus deuses, diante de todos os itens citados a cima, ainda vale ressaltar o preparo de comida.Cada orixá tem um dia específico e mesmo alimentos próprios, que alguns "crentes" evitam comer, porque são considerados proibidos ou não aconselhados.
Cada um influência em uma pessoa de maneira diferente e todos esses significados que existem o "fiel" tem que seguir e respeitar.
Uma das características mais marcantes do candomblé no Brasil eram os cultos realizados com a presença de roupas coloridas. As cores mais usadas dentro da religião são: branco,vermelho e preto.“O preto representa o silêncio e a resignação; o vermelho a energia e a vida; o branco o luto ‘pela morte’ que proporciona o renascimento e a continuidade, nada relacionado com paz ou coisas do tipo, como as pessoas pensam”, explica o babalorixá (Pai de Santo) da casa Ilê Asé Obatorun, Ricardo Ruivo.
Para Cunha Júnior, Henrique, Professor Doutor titular na UFC e pesquisador sobre a temática Afro-Brasileira, "as religiões de base africanas como o Candomblé tem como finalidade o respeito à ancestralidade e preservação do equilíbrio da natureza. Nas culturas tradicionais africanas é de suma importância o respeito às gerações passadas e ao conhecimento destas para a humanidade. Esta importância é dada pelo respeito muito grande à ancestralidade. Os antepassados recentes ou os históricos muito antigos são homenageados e cultuados no candomblé. Para os africanos tudo que existe emana uma energia específica, parte da energia fundamental. O mundo na cultura africana é pensado como na física como a interação atômica de energias. Devido a esta visão da energia em interação, tudo nas culturas africanas são fenômenos dinâmicos, ou seja, tudo está em constante transformação. Estes estados de constantes transformações precisam ser mantidos em equilíbrios para manutenção da vida e felicidade dos seres da natureza, entre eles os seres humanos. Então nas religiões africanas os trabalhos de rituais têm como uma das finalidades a preservação deste para o equilíbrio da natureza para a prosperidade e felicidade humana”.

Origem do Mundo

Certo dia, Olorum, o deus supremo do Candomblé, decidiu que era hora de criar todas as coisas do Céu e da Terra. Para isso, escolheu o mais sábio de seus filhos, Oxalá, e lhe deu um saco com tudo o que era preciso para a tarefa. Mas avisou: antes, era preciso fazer homenagens a Exu, divindade que sempre participa daquilo que está para acontecer. Oxalá, no entanto, resolveu deixar Exu de lado porque queria que a criação do mundo fosse sua obra exclusiva. Ao saber que fora excluído, Exu, enfurecido armou uma vingança: por meio de seus conhecimentos mágicos provocou uma sede enorme em Oxalá.
Sedento, com o saco nas costas, Oxalá extraiu de uma palmeira um líquido conhecido como vinho de palma. Mas sua sede não passava. Bebeu mais e mais e, embriagado, deitou-se para dormir. Odudua, irmão de Oxalá, enciumado por não ter sido o escolhido do pai, viu sua oportunidade: pegou o saco e, fazendo as devidas homenagens a Exu, criou tudo o que existe: a terra, a água, o sol e alua. Quando Oxalá acordou, viu que o mundo havia sido feito. Chateado, procurou Olorum para se queixar. O deus, percebendo a infelicidade do filho, disse que não era possível voltar atrás. Mas ainda faltava algo: colocar o homem e os outros seres vivos sobre a Terra. Foi o que fez Oxalá, desta vez dando a Exu o que lhe cabia.

Sobre a imagem

Trata-se de uma comemoração pela conquista de que os terreiros tenham os mesmos direitos(jurídicos e administrativos) das igrejas "comuns". O registro foi feito em 20/11/2014, na Bahia. É possível observar o agradecimento feito aos orixás em praça pública.

Referências

LIGIERO, Zeca. Iniciação ao CANDOMBLÉ. 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 2002. 148 p.
TERREIRO: Um vídeo documentário sobre o Candomblé. Direção de Mariana Haga Fontanini. Londrina, 2008. P&B.
http://www.significados.com.br/candomble/
http://jornalismo.iesb.br/2015/08/16/babalorixa-explica-o-significado-das-cores-e-roupas-candomble/
http://grupovioles.blogspot.com.br/2016/02/terreiros-de-candomble-passam-ter-mesmo.html
Os Orixás lhe desejam Axé. Revista das Religiões – Superinteressante. Ano 1, n. 1, p. 38, maio 2003

Autoria do verbete

Beatriz Locatelli
Bruna Ferranti
Marina Rech

Turma EMITST2016 A

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