Candomblé I
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Origem

A palavra candomblé é, na verdade, o nome de uma dança africana utilizada para a invocação de orixás. Durante a época em que o Brasil era colonizado, muitos escravos foram trazidos da África, e com eles veio toda a sua cultura, inclusive sua religiosidade. A crença dos escravos, com o passar do tempo, tornou-se o Candomblé, uma das mais populares religiões brasileiras.
No início, o Candomblé era visto como feitiçaria e culto pagão, por envolver danças, cantos e sobrenaturalidade. Por isso, foi proibido durante muito tempo. A forma que encontraram de fazer a religião perdurar foi o sincretismo.

Número de adeptos

Segundo o Censo realizado no ano 2000, 127.582 o número de pessoas que se declararam adeptas do Candomblé, representando um percentual de 0,07%. Somado aos 0,23% pertencentes à Umbanda, resulta um total de 0,30%. Comparando ao Censo de 1991, houve uma diminuição de 14% do total de pessoas que se dizem adeptas a essas duas religiões, em contrapartida houve um aumento de 48,01% de pessoas que dizem não possuir religião. Muitas dessas pessoas que afirmam não ter religião ou a omitem, são adeptas do Candomblé ou da Umbanda. Devido ao preconceito em contra essa cultura, muitos acabam negando-a. (BATISTA, 2010).

Sincretismo

Sincretismo é o nome dado à junção de diferentes doutrinas religiosas, com a reinterpretação de seus elementos.
Para continuarem realizando os rituais de culto às suas divindades, os negros africanos tiveram de disfarçar seus altares com imagens de santos católicos. Havia o altar da figura cristã, porém por baixo estavam os assentamentos dos orixás. Apesar de servirem apenas como um disfarce, buscavam-se santos com características parecidas às dos orixás.
Após a abolição da escravatura, foram surgindo as primeiras casas oficiais de Candomblé, e já podiam ser vistos elementos do catolicismo, como por exemplo, os crucifixos e a identificação dos orixás pelo nome dos santos a que foram sincretizados. Esse costume permanece até hoje, porém, nos últimos anos, algumas casas de Candomblé têm buscado purificar a tradição, eliminando os vestígios do Cristianismo.

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Fonte: adaptado de MANUELA, 2008.

Características

Um dos principais fatores que diferencia o Candomblé das outras religiões é a falta de preocupação com o caráter moral para o alcance do paraíso. Não há mandamentos, leis ou normas que determinem se uma pessoa é boa ou não, porque isso é simplesmente irrelevante para eles.
A busca pela felicidade sem restrições também é outro ponto importante dessa religião, o que faz com que haja um certo preconceito contra os adeptos. Frequentemente, os praticantes do candomblé recorrem aos orixás para pedir favores em troca de oferendas, esses favores podendo ser bons ou não.
Uma característica importante é também a ausência de livro sagrado: “[…] toda a informação sobre as tarefas, orações, ritmos e rituais são aprendidos através da oralidade. Toda informação é transmitida através da palavra de geração para geração. Tudo é ensinado pelos mais velhos – e a obediência à hierarquia é o alicerce fundamental para a sustentação de um templo.” (MILLET, 2010).
O candomblé possui divindades chamadas orixás, deuses africanos que correspondem aos elementos da natureza. “As características dos orixás aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários.” (MILLET, 2010). Existem cerca de dezesseis orixás conhecidos, sendo eles Oxóssi, Ogun, Xangô, Exú, Ossaim, Oxalá, Oxumaré, Omolú, Iansã, Iemanjá, Oxum, Logum Edé, Nanã, Obá, Ewá e Ibeji.
Embora haja um grande número de divindades cultuadas, o Candomblé é uma religião monoteísta, pois tem Olorum como seu Deus Supremo, criador do céu (orixás) e da terra (humanos).

Origem do mundo

No começo não havia separação entre o Orum, o céu dos Orixás e o Aiê, a terra dos humanos. Homens e divindades iam e vinham coabitando e dividindo vidas e aventuras. Conta-se que quando o Orum fazia limite com o Aiê, um ser humano tocou o Orum com suas mãos sujas. O céu imaculado do Orixá fora manchado; o branco imaculado de Obatalá se perdera. Oxalá foi reclamar a Olorum. Olorum, Senhor do Céu, Deus Supremo, irado com a sujeira, o desperdício e a displicência dos mortais, soprou enfurecido seu sopro divino e separou para sempre o Céu e a Terra. Assim o Orum separou-se do mundo dos mortais e nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de lá com vida. Isolados dos humanos, os habitantes do Aiê se entristeceram.
Os Orixás tinham saudades de suas peripécias entre os humanos e andavam tristes e amuados. Foram queixar-se com Olodumare, que acabou consentindo que os Orixás pudessem vez por outra voltar à terra. Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos. Foi a condição imposta por Olodumare. Oxum que antes gostava de vir à Terra brincar com as mulheres, dividindo com elas sua formosura e vaidade, ensinando-lhes feitiços de adorável sedução e irresistível encanto, recebeu de Olorum um novo encargo: preparar os mortais para receberem seus corpos os Orixás. Oxum fez oferendas a Exú para propiciar sua delicada missão. Seu sucesso dependia da alegria dos seus irmãos e amigos Orixás.
Os Orixás agora tinham seus cavalos, podiam retornar com segurança ao Aiê. Os humanos faziam oferendas aos Orixás, convidando-os à Terra, aos corpos das Iaôs. Então os Orixás vinham e tomavam seus cavalos. E, enquanto os homens tocavam seus tambores, vibrando as batas e agogôs, soando os xequerês e adjás enquanto os homens cantavam e davam vivas e aplaudiam, convidando todos os humanos iniciados para a roda do Xirê, os Orixás dançavam e dançavam e dançavam. Os Orixás podiam de novo conviver com os mortais.
Os Orixás estavam felizes! Na roda das feitas, no corpo das Iaôs, eles dançavam e dançavam e dançavam. Estavam inventado o Candomblé. (adaptado de SANTOS, 2010).

Visão sobre a morte

Não há a definição céu/inferno, as almas devem cumprir seu destino ou ficarão vagando entre Òrun (espaço dos orixás) e Aìyê (espaço dos homens). Acredita-se que os mistérios de vida e morte são regidos por uma Lei Maior, que dá o equilíbrio divino. Vêem o poder de Olorun (Ser Supremo) em todas as coisas, principalmente na natureza. Morrer seria passar para o Òrun e lá permanecer com os outros espíritos e orixás.

Sobre a imagem

Omolú
Também conhecido por Obaluaiê, é o orixá que possui o poder de provocar ou curar doenças, principalmente epidemias, possuindo uma forte ligação com a vida e a morte. Sua origem é incerta, atribuindo uma aura mistério ao seu redor, uma de suas características. É filho de Nanã e irmão de Oxumarê. É visto não só no candomblé, mas também na Umbanda como Obaluaê, e como Xapanã no Batuque. Este último nome não costuma ser usado na Umbanda e no Candomblé, pois acredita-se que sua pronúncia pode provocar doenças repentinas.

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Seu símbolo é o Xaxará (Sàsàrà), apetrecho feito a partir de palha de dendezeiro e adornado com búzios e contas. Este objeto é utilizado por Omolú para purificar a energia negativa de casas e pessoas.

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A vestimenta do orixá é feita inteiramente de ìko, fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a palha da costa, e cobre todo seu corpo, incluindo seu rosto. Representa a necessidade de nunca entregar tudo, mas manter algumas coisas ocultas. O traje é dividido em duas partes: Filá e Azé. Filá é a parte que lhe cobre da cabeça até abaixo da cintura; Azé é a saia, que pode ser na altura dos joelhos ou até os pés. Por baixo do Azé há uma calça chamada Xokotô, que significa o mistério da morte e do renascimento. Também costuma-se utilizar cabaças, onde estão os remédios do orixá.

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Fonte da imagem¹:
http://www.raizesespirituais.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Opanij%C3%A9_Orossi1-300x225.jpg

Fonte das imagens²:
https://ferramenteira.files.wordpress.com/2008/08/xaxara-ii.jpg?w=450
https://ferramenteira.files.wordpress.com/2014/01/omolu-faixa-de-mic3a7angas.gif?w=450
https://ferramenteira.files.wordpress.com/2014/01/omolu-faixa-de-mic3a7angas-saiote.gif?w=450

Referências

SANTOS, Vitor. Teoria de origem do mundo segundo o Candomblé: Minha contribuição contra a marginalização da religião dos negros, um preconceito fundamentado no racismo histórico.. 2010. Disponível em: <http://exercitandoopensar.blogspot.com.br/2010/09/teoria-de-origem-do-mundo-segundo-o.html>. Acesso em: 01 jul. 2015.
MANUELA, Maria. Sincretismo. 2008. Disponível em: <https://ocandomble.wordpress.com/2008/05/11/sincretismo/>. Acesso em: 04 jul. 2015.
CAMPOLIM, Sílvia. Candomblé no Brasil: Orixás, tradições, festas e costumes. Disponível em: <http://super.abril.com.br/historia/candomble-no-brasil-orixas-tradicoes-festas-e-costumes>. Acesso em: 09 jul. 2015.
MILLET, Zeno. Bem-Vindo ao Candomblé. 2010. Disponível em: <https://jeitobaiano.wordpress.com/2010/04/17/bem-vindo-ao-candomble/>. Acesso em: 09 jul. 2015.
SOUSA, Rainer. Os Orixás. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/religiao/os-orixas.htm>. Acesso em: 01 jul. 2015.
OS ORIXÁS. 2008. Disponível em: <https://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/>. Acesso em: 01 jul. 2015.
BATISTA, Françoise. O Candomblé e sua representatividade no Brasil. 2010. Disponível em: <https://diariodosorixas.wordpress.com/2010/11/18/o-candomble-e-sua-representatividade-no-brasil/>. Acesso em: 14 jul. 2015.

Autoria do verbete

Gabriela Leite Goulart
Renata de Moraes Bilhan
Jéssica Morais Lanhi

Estudantes da turma EMITST 2015

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